quinta-feira, 2 de abril de 2009

Sempre nao é todo dia ou algo mais ou menos assim

Ta bom, eu sei que eu ando dormindo pouco, ando comendo de menos e estou bem mais distraída do que o normal. E antes que você me pergunte... eu não sei o que está acontecendo, ok?Sei lá, você nunca ficou triste sem motivo? Você nunca sentiu medo de perder as pessoas que ama? De que seu cachorro morra?Você sempre tem certeza de tudo? Sempre fala as coisas certas nas horas certas? Nunca comete uma gafe? Você sempre acha que a sua opinião é a melhor de todas? E mesmo que não for, o seu poder de argumentação é sobrenatural, o que no fim da na mesma...

Faz muito tempo que você deixou de acreditar em milagres?Você nunca espumou de ódio? Ou chorou por nada? Ou engoliu com a sensação de estar passando uma jamanta pela garganta? Você nunca baixou a cabeça? Nem mesmo precisou entregar os pontos?

Então você nunca acordou querendo arrumar uma virose para não ir trabalhar por uns três dias? Você não sente vontade de morar no Alaska? Só pra ficar embernado? Você nunca quis jogar o seu celular do décimo andar?

Você realmente acha que tem o melhor emprego do mundo? Que sua família é perfeita? Que você mora na melhor cidade do mundo? Que você tem amigos verdadeiros?

Nunca te passou pela cabeça que tudo poderia ter sido diferente? Que você poderia se mudar pra Bali?

Você não tem vontade de sair correndo da sua mesa de trabalho, desligar o celular, tomar uma dose cavalar de calmante, apagar a luz e dormir?

Você nunca se questionou sobre Deus? Ou sobre o que estamos fazendo nesse mundo? Será que precisamos mesmo disso tudo?É isso colega, é só isso, tudo isso...

segunda-feira, 23 de março de 2009

Baú de Pandora



Eu ando dormindo muito pouco, e hoje, mais uma madrugada clara, na falta do que fazer fui revirar antigas fotos salvas no computador, antigos poemas salvos, crônicas que eu nunca acabei, cartas que eu recebi, documentos que por algum motivos estavam ali, guardados. Ou porque foram importantes, ou porque talvez eu não tivesse coragem de apagar ou foram mantidos para serem resgatados uma noite dessas, de vez em quando.

Muitas dessas coisas eu guardo por pura nostalgia, outras porque simplesmente não consigo apagar, algumas, as mais especiais porque gosto de cutucar minhas feridas mesmo, remexer, tentar ver com um outro olhar, tentar entender porque nunca terminei aquele texto, porque não devolvi aquela resposta, porque não me desfiz daquele espaço.

A outra abordagem que eu faço, nesse momento, inevitavelmente é de como eu e as demais pessoas mudaram. Estou mais velha, obviamente, mas não é só isso. Como mudaram as minhas escolhas, as minhas opções de viagens, os meus momentos de lazer, como eu conheci gente que eu nunca mais vi, como eu estava feliz, como eu me lembro da angustia que eu sentia naquele dia, daquela foto, como eu confiava na pessoa que me abraçava naquele momento e hoje eu sei o quanto me decepcionei.

Os meus textos, igualmente um retrospecto de tanta coisa boa que eu já escrevi e não publiquei, de tanta idéia louca que eu tive em madrugadas como essa, de tantos gritos abafados, resultados de tantas vezes que eu escrevi para não me sufocar, para não embargar, pra conseguir respirar um pouco melhor.

No meio disso tudo, sempre acabo esbarrando em pessoas que se foram, outras que simplesmente se perderam, se perderam de mim ou que me desprendi delas, não sei.

Claro que tem muita coisa legal dentro dessa velharia, tem muita gente que continua do meu lado, segurando minhas pontas, há muitos anos, gente que casou e já estava junto nessa foto que eu acabei de pegar na mão, amigos que se tornaram mais amigos, amigos que também mudaram suas opções, as viagens maravilhosas, os textos que foram publicados na integra e o pessoal da faculdade que se deu muito bem.

Não mexo em todas as gavetas do meu baú, algumas prefiro que permaneçam trancadas, as que hoje foram abertas, serão fechadas, mas sem chaves, para que eu possa ir lá sempre e quem sabe responder aquela carta ou terminar aquele texto.

terça-feira, 10 de fevereiro de 2009

O céu e o Inferno

Trecho retirado do livro "Comer, Rezar e Amar"...


- Voce ja foi ao inferno, Ketut?
Ele sorriu, é claro que já tinha ido lá.

- Como é a vida no inferno?
- Igual ao céu - disse ele.

Ao ver minha expressao de confusao, ele tentou explicar.

- Universo é um circulo, Liss

Eu ainda nao tinha certeza de ter entendido.

- Para o cima, para o baixo... tudo a mesma coisa, no final, disse ele.
- Entao como é possivel saber a diferença entre o céu e o inferno? - perguntei.
- Por causa de como voce vai. Céu, voce vai para cima, passa por sete lugares felizes. Inferno, voce vai pra baixo, passa por sete lugares tristes, é por isso que é melhor voce ir pra cima.

- Voce quer dizer - perguntei - que é melhor passar a vida indo pra cima, passando por lugares felizes, já que o céu e o inferno... os destinos... no final das contas sao a mesma coisa?

- O mesmo no final, entao é melhor ser feliz na viagem.

terça-feira, 27 de janeiro de 2009

Big BOTHER * Brasil

Do inglês, chateação, irritação, incomodação

Não, eu não assisto Big Brother, portanto eu não sei quem são as próximas quatro capas da playboy e também não sei quem brigou com quem, quem pegou quem, quem se passou na festa de sábado. O que eu acho desse programa provavelmente não lhe interessa, mas convenhamos que ele está ficando (no mínimo) chato.

A produção muda o formato, muda as regras, muda o perfil dos participantes, mas mesmo assim, está ficando chato, tanto é que essa última edição, apesar de ser o programa com a maior receita, é o que está com o menor índice do Ibope. Eu prefiro pensar que o brasileiro esteja criando um pouco de consciência seletiva e escolhendo melhor os seus programas televisivos.
Nada contra quem prefira ficar assistindo Big Brother, conheço um monte de gente legal que curte, mas eu me recuso, acho esse programa um insulto à minha pouca inteligência. O pior é que não dá para não acompanhar, você liga a TV e é obrigada a ouvir as chamadas, abre a internet e vê as notícias, as revistas na fila do supermercado, as conversas na fila do banco... Fica difícil conseguir se “imunizar” totalmente dessa basbaquice coletiva.

E todo começo de ano é a mesma coisa, férias, natal, ano novo e.... tcharammm começa um novo big brother. Pelo amor de deus, vamos ser sensatos... com tanto livro bom, com tanto filme interessante, com tanta vida do lado de fora da porta, me recuso a reduzir meu tempo de lazer à acompanhar 12 desocupados mostrando o peito sarado, o silicone novo, o aplique no cabelo, comendo e jogando conversa fora o dia inteiro.

E quando os “brothers” são perguntados sobre a experiência na casa?? Aquela resposta de irritar... “Estou mais maduro, aprendi muito, cresci como pessoa”. Oi?? Oi???? Deixa eu te dizer uma coisa, você vai posar para a Playboy, comprar um apto com a grana, depois vai fazer duas pontas no zorra total e no máximo em cinco meses, ninguém mais lembra seu nome.

É essa natureza volúvel que me irrita no Big Brother, além do fato de que todos se fazem de vítimas, como se ninguém estivesse lá porque quer e não saísse de lá ganhando alguma coisa, se posando de herói, de guerreiros.

Meu conceito de guerreiro é outro, meus heróis são outros, minha lógica nesse sentido funciona de um jeito diferente, eu não me sinto com coragem suficiente para pegar o telefone e ligar (e pagar por isso) para “eliminar” fulano ou siclano, engordando a conta bancária da TV Globo.

Já está difícil conseguir cuidar da minha própria vida, monitorar ainda mais 12 dentro de uma casa, definitivamente não é para mim.

domingo, 11 de janeiro de 2009

Por uma semana melhor...


Além de tudo ando sem inspiração. E até para escrever, que sempre foi algo que fluía em mim com facilidade está demandando um esforço descomunal.

E para o meu ano que começou nem um pouco triunfal, eu confesso que estou com medo do dia seguinte. Sabe quando você entra em casa desconfiando de algo está errado? Meio que pisando leve, colocando o olhar antes dos pés, esperando um susto. Assim sou a cada dia que acordo. To sempre esperando um susto ou uma surpresa. Parece que comecei o ano agitada, estressada.

Já nos primeiros cinco minutos do ano meu celular resolveu pular ondinhas junto comigo e Iemanjá levou ele pro fundo. (Pode rir). Depois, o tão sonhado apartamento na paradisíaca praia de Quatro Ilhas, em SC, meio que já tava começando a me parecer um um inferno depois dos cinco primeiros dias. Isso porque choveu depois dos cinco primeiros dias e porque faltava água dia sim e dia também e porque o apartamento era maravilhoso mas o prédio uma bagunça. E a diária caríssima lhe dá direito a um portão que não funciona, um vizinho que para o carro na porta, trancando todo o resto e à água que quando vem é amarelada e fedorenta. Sem contar a clausura, já que é impossível qualquer tentativa de dar uma voltinha com qualquer veiculo motorizado, porque todo o mundo resolveu passar as férias ali. Todo o mundo é exagero, mas a Argentina inteira eu acho que estava concentrada aqui. E todas essas pessoas, só porque estão de férias, incluindo os argentinos, pensam que podem esquecer a educação em casa. Resumindo, depois de cinco dias, compreensivelmente, eu já estava espumando.

Foi quando então, resolvi antecipar o retorno pra casa e é obvio que a chuva parou e o sol voltou a dar o ar da graça. Claroooo. E se não bastasse isso pra me deixar assim, estressada na primeira semana de janeiro, descubro (pelo cheiro e pelo barulho) que o terreno do lado da minha casa virou moradia de pessoas desocupadas que resumem suas atividades diárias em beber, fumar maconha e sair pra conseguir dinheiro (não sei como). Ai de vez em quando eles brigam, com pedaços de paus, se xingam, ficam pelados... É, bem exótica essa minha vizinhança. Preciso dizer que a polícia baixou lá quinhentas vezes? O fato é que eu não to acostumada com isso, não faz parte do meu mundo essa convivência com gente desocupada, com hábitos um pouco ilícitos. Na realidade isso me deixou apavorada. Pra quem não sabe, moro sozinha, trabalho até tarde... Você acha aconselhável ter esse tipo de vizinhança?

Então, eis que decido (pra minha saúde física e mental) me mudar. De novo... É o quarto apartamento em um ano.

Ai chama pintor, eletricista, paga multa, mudança, reforma. Ainda bem que como eu moro em Blumenau, tenho direito a sacar meu FGTS. (Benfício concedido em razão das chuvas de novembro) Não é muito, mas já dá pra cobrir essas despesas da mudança. Seria ótimo se a minha mãe tivesse me dado o nome de Zambelê. Mas meu nome começa com a letra M eu tenho que ir para a fila meia noite do dia anterior junto com todas as Marias de Blumenau.

Então como deu pra perceber, é a vida me enchendo com suas surpresinhas novo e meu humor não está muito bom, então, já que hoje é domingo, eu só quero uma semana com menos surpresas, mais normalzinha, assim, sem muitas novidades.

segunda-feira, 8 de dezembro de 2008

Desventuras na 25 de Março

Pra quem não conhece, a vinte e cinco de março é um centro de comércio popular no centro de São Paulo, lotada de muamba, camelôs, lojinhas de bijuterias, bolsas falsificadas, relógios falsificados, óculos igualmente falsificados e tênis, perfume, roupas e é tudo falsificado, por mais que o chinês que te atendeu diga que não é.

Devem ser umas mil lojinhas amontoadas perto do mercado municipal aglomeradas com mais outros prédios cheio de bugigangas dentro e entre ruas onde passam quase um milhão de pessoas por dia nessa época do ano. E é nessa época do ano que bate a policia federal por lá e fecha quase tudo. E essas milhões de pessoas te espremem nos corredores apertados e você tem andar no mesmo ritmo e na mesma direção do que elas, porque se você parar, quem vem atrás de atropela. Ah, vendo assim, parece a visão do inferno, mas é muito divertido, principalmente a parte que a você tenta estabelecer um contato com os coreanos que são os donos das lojinhas.

Eles não falam uma nisga de português e eu acho que eles moram lá mesmo, num alçapão em baixo das barraquinhas, porque eles brotam do nada, ai eles falam só entre eles, olham pra sua cara se matam de rir.

É bem legal, vende lelózio, catela, emepetlês, pendláve, plocessadô pentium, tudo olizinal, claro. Tudo com galantia, xim, de tlês meses. E vende bolsa da Dizil, plada, cutchi, tudo olizinal, que nem a catela.

Teve uma vez que a minha mãe queria comprar umas mochilas azuis e tinha que ser azul porque era a cor da empresa e o chinês não se entendia que tinha que ser azul, a conversa entre os dois era assim:

Minha mãe: Tem mochila azul?
Chinês: Azu não, tem vemelo, marelo, vedi.
Minha mãe: Tem que ser azul
Chinês: Quaqé cô. vedi, vedi ta bom.

E começou a empacotar todas as mochilas verdes que ele tinha, não sei se ele não entendeu que tinha que ser azul...

Teve uma vez também que a minha mãe comprou um óculos em uma loja e depois achou um igual em outra loja de outro chinês. Ai sente o diálogo:

Chinês: Leva, dona, óculus olizinal.
Minha mãe: Eu acabei de comprar um igual
Chinês: Quanto?
Minha mãe: Cem reais.
Chinês para outro chinês: huhuhuahuahuahauahuahuaha

Achamos melhor sairmos de lá....

As vezes também eles são um pouco mal humorados, teve uma vez que a gente entrou em uma loja e a chinesa veio pra nos atender e falamos o clássico “só estamos olhando” e a descarada respondeu: Se não vai complá, não olha. Juro, é verdade.

Comprar eletrônico lá é muito divertido. Esses dias tinha um MP3 da “çoni” mas que o adesivo da Sony tava colado de cabeça pra baixo. E o vendedor (esse era brasileiro), quando eu perguntei a marca, porque eu achei estranho aquele adesivo de cabeça pra baixo me respondeu: - Ah, não sei, marca nenhuma eu acho, tem um adesivo da Sony, mas é a gente que cola. O.o

Ai eu entendi o motivo do adesivo torto, mas achei melhor nem falar nada, afinal, ele não era chinês e na vinte e cinco a gente tem que comprar só de chinês.

Ai resolvi comprar o MP3 de um outro chinês do fundo da galeria. Porque quanto mais escondida a loja, mais baratas são as coisas.

Eu: Tem MP3?
Chinês: Xim, de tlês, quatro ziga.
Eu: Quanto é?
Chinês: Qualênta tlês.
Eu: E tem desconto em dinheiro?
Chinês: Qualênta tlês.
Eu: E vem com cabo USB?
Chinês: Qualênta tlês. O.o

E tem uns carrinhos de som tocando funk, musica sertaneja, musica velha no meio da rua, que eles usam pra divulgar todos os CDs falsificados que eles vendem, ai você anda e sempre tem uma musica em algum lugar. Tem também uns caras que vendem abacaxi, milho verde, e uns queijos derretidos no meio da rua. O milho é uma delícia. Eu tenho uma tia que é insuficiente renal e ela não pode comer esses milhos, mas se a gente perder ela de vista, pode ter certeza que ela ta escondida comendo um kilo de milho verde.

Essa minha tia é um capítulo a parte, ela é insuficiente renal, faz hemodiálise, tem 1,45 de altura, é um pouco distraída e adora a vinte e cinco de março!! Uma vez ela saiu da UTI em um dia e no outro ela nos acompanhou em uma voltinha por lá. E várias vezes ela vai sozinha mesmo, pega um ônibus e se manda pro centro de São Paulo.

A parte da rua é divertido, além dos carrinhos de música e do empurra-empurra e do cara do milho e do abacaxi, tem uns caras que vendem um apito que modifica a voz quando você fala com ele na boca e eles ficam gritando: Aiiii titiaaaa. Com aquela voz meio de pato donald.

É que na rua eles fazem demonstração de tudo que eles vendem, então, se eles estão vendendo aqueles jogos de bolinhas e raquete, eles ficam jogando as bolinhas um pro outro no meio da rua, ai tem o cara do massageador, que você passa e eles esfregam aquilo nas tuas costas. Tem o cara do depilador de pêlo de nariz, esse eu não vi demonstração, mas eles estão sempre lá. É ai vem o cara do abacaxi te oferecer um pedaço que ele cortou com o super fatiador que ele quer te vender, 3 por R$ 5,00.

O que eu acho legal na vinte e cinco é porque é um lugar totalmente democrático. Lá você encontra sacoleira, patricinha, prostituta, aposentado, bandido, polícia, madame, chinês, coreano, brasileiro e árabes. Acho que essa é a análise mais legal que podemos fazer de lá, é um lugar onde todos são bem vindos e se você se despir de preconceitos, tenho certeza de que vai adorar a Vinte e Cinco de Março.

segunda-feira, 1 de dezembro de 2008

Sobre a Teoria da Relatividade

Um dos filmes que mais marcou minha adolescência foi “Em algum lugar do Passado”. É um filme lindo, em que um escritor se apaixona por uma atriz de 1912 por uma foto dela em um quadro de um hotel. A paixão é tanta que ele encontra uma forma de voltar ao passado e viver esse amor. O filme é maravilhoso e a trilha sonora, perfeita.

Viajar no tempo sempre foi tema de discussões, motivo de instigação... é possível? Einstein com a Teoria da Relatividade, abriu a possibilidade, para que, pelo menos, na teoria isso fosse possível. Hoje sabemos que os cientistas são capazes de tele transportar partículas de um lugar ao outro, quem sabe, não é?

Mas imaginemos que em 1989 alguém tivesse uma máquina do tempo e apertado um botão que transportasse ninguém menos do que Luis Inácio Lula da Silva, até 2008 e o colocasse sentado no sofá da sua sala, ia ser difícil explicar certas coisas...

Aquele Lula se materializa “Puff” na sua sala, meio tonto, você se assusta, mas depois reconhece a camiseta vermelha, com uma estrela branca no peito, com dizeres “Lula la, brilha uma estrela, Lula la um Brasil criança, Lula la”, com aquela cara de 20 anos atrás.

- O que é isso, companheiro? - Onde eu tô?
- Com licença, excelência, mas estamos no futuro. Precisamente em 2008.
- Futuro? Logo agora que vou ganhar do Collor, pô! Nãooo, me manda de volta pro passado! Cadê o Zé Dirceu! Zééé ? Cadê o Zé?
- Calma, Lula. Já que estamos aqui, vamos dar uma olhada no seu futuro!! O Senhor é o presidente da República!
- Sério que eu ganhei?
- Bem, não dessa vez, o Collor levou. Mas depois ele sofreu um impeachment e bem depois o senhor ganhou. Foi eleito em 2002. E reeleito em 2006!
- Eu??? Reeleito? Deixa eu ver, bota aí!!!

E então Lula se estica no seu sofá e diante da sua TV de plasma e assiste a um documentário sobre os últimos 20 anos do Brasil. Um sorriso escapa quando a eleição de 2002 é apresentada.

- Pô, fiquei bonito! Ué, Cadê o Zé?? E o Genuíno?? Aquela ali abraçada comigo não é a Marta Suplicy?
- Não, Presidente, aquela ali é a Marisa Letícia.
- Olha só! Eu e o Papa! E aquele ali, quem é?
- É George Bush, o Presidente dos Estados Unidos!
- Eita eita eita, tem algo errado... Aquele ali abraçado comigo não é o Sarney? Com a Roseana? E o que é que o Collor tá fazendo abraçado comigo? O que é isso? Tá de sacanagem? Que porra é essa?
- Não, presidente. Esse é o futuro!
- AAAAhhhhhh! Olha lá o Quércia me abraçando! O Jader Barbalho! Cadê o Genoíno? Cadê o Zé Dirceu?
- Bem, Presidente, o senhor cortou relações com eles.
- Como que é? Meus amigos? Me separei deles e fiquei amigo do Quércia?
- Pois é...
- E aqueles ali? Não são banqueiros? Porque eles estão sorrindo pra mim?
- Estão agradecendo, Presidente. Os bancos nunca tiveram um resultado tão bom como em seu governo.
- Bancos? Como assim os Bancos? Você tá de sacanagem!!
- Calma, Presidente. O povo gostou, reelegeram o senhor com mais de cinqüenta milhões de votos!
- Mas não pode! Cadê os proletários? Só tô vendo nego da elite ali. Olha o Vicentinho de gravata! E o Jacques Wagner também! Mas que merda é essa?
- É o futuro, Presidente.
- E o Walter Mercado? Tá fazendo o quê ali?
- Aquela é a Marta Suplicy, Presidente.
- Ah, não. Não quero! Não quero! Não quero aquele meu terninho. Não quero aquele cabelinho. Não quero aquela barbinha. Desliga isso aí!
- Mas Presidente, esse é o futuro. O senhor vai conseguir tudo aquilo que queria.
- Não, me manda de volta pro passado. Essa tal de teoria da relatividade é um perigo.
- Perigo?!
- É. As amizades ficam relativas. A moral fica relativa. As convicções ficam relativas. Tudo fica relativo.

Pois é, Presidente, pois é... é que a gente muda com o tempo..