Além de tudo ando sem inspiração. E até para escrever, que sempre foi algo que fluía em mim com facilidade está demandando um esforço descomunal.
E para o meu ano que começou nem um pouco triunfal, eu confesso que estou com medo do dia seguinte. Sabe quando você entra em casa desconfiando de algo está errado? Meio que pisando leve, colocando o olhar antes dos pés, esperando um susto. Assim sou a cada dia que acordo. To sempre esperando um susto ou uma surpresa. Parece que comecei o ano agitada, estressada.
Já nos primeiros cinco minutos do ano meu celular resolveu pular ondinhas junto comigo e Iemanjá levou ele pro fundo. (Pode rir). Depois, o tão sonhado apartamento na paradisíaca praia de Quatro Ilhas, em SC, meio que já tava começando a me parecer um um inferno depois dos cinco primeiros dias. Isso porque choveu depois dos cinco primeiros dias e porque faltava água dia sim e dia também e porque o apartamento era maravilhoso mas o prédio uma bagunça. E a diária caríssima lhe dá direito a um portão que não funciona, um vizinho que para o carro na porta, trancando todo o resto e à água que quando vem é amarelada e fedorenta. Sem contar a clausura, já que é impossível qualquer tentativa de dar uma voltinha com qualquer veiculo motorizado, porque todo o mundo resolveu passar as férias ali. Todo o mundo é exagero, mas a Argentina inteira eu acho que estava concentrada aqui. E todas essas pessoas, só porque estão de férias, incluindo os argentinos, pensam que podem esquecer a educação em casa. Resumindo, depois de cinco dias, compreensivelmente, eu já estava espumando.
Foi quando então, resolvi antecipar o retorno pra casa e é obvio que a chuva parou e o sol voltou a dar o ar da graça. Claroooo. E se não bastasse isso pra me deixar assim, estressada na primeira semana de janeiro, descubro (pelo cheiro e pelo barulho) que o terreno do lado da minha casa virou moradia de pessoas desocupadas que resumem suas atividades diárias em beber, fumar maconha e sair pra conseguir dinheiro (não sei como). Ai de vez em quando eles brigam, com pedaços de paus, se xingam, ficam pelados... É, bem exótica essa minha vizinhança. Preciso dizer que a polícia baixou lá quinhentas vezes? O fato é que eu não to acostumada com isso, não faz parte do meu mundo essa convivência com gente desocupada, com hábitos um pouco ilícitos. Na realidade isso me deixou apavorada. Pra quem não sabe, moro sozinha, trabalho até tarde... Você acha aconselhável ter esse tipo de vizinhança?
Então, eis que decido (pra minha saúde física e mental) me mudar. De novo... É o quarto apartamento em um ano.
Ai chama pintor, eletricista, paga multa, mudança, reforma. Ainda bem que como eu moro em Blumenau, tenho direito a sacar meu FGTS. (Benfício concedido em razão das chuvas de novembro) Não é muito, mas já dá pra cobrir essas despesas da mudança. Seria ótimo se a minha mãe tivesse me dado o nome de Zambelê. Mas meu nome começa com a letra M eu tenho que ir para a fila meia noite do dia anterior junto com todas as Marias de Blumenau.
Então como deu pra perceber, é a vida me enchendo com suas surpresinhas novo e meu humor não está muito bom, então, já que hoje é domingo, eu só quero uma semana com menos surpresas, mais normalzinha, assim, sem muitas novidades.