quinta-feira, 23 de outubro de 2008

A vida é a arte do desencontro

Eu mesma já falei muito sobre que o que importa realmente na vida são os laços e encontros que fazemos. É verdade. Mas se a vida é a arte do reencontro, os desencontros fazem parte de uma outra abordagem, mas nem por isso, menos importante.

Sabe aquela história de que a vida ta cheia de personagens inúteis, de casos estúpidos, que a vida parece um romance mal feito? É mais ou menos por ai.


Você anda por ruas onde eu não passo. Você olha para onde eu não te encontro e quando você me acha, nos perdemos. Por medo, agonia ou simplesmente segurança, nos perdemos. Eu à você, você à mim.

Sei onde fica a tua casa, na verdade é perto demais, as vezes consigo te ouvir de noite, mas é que eu não sei o que te dizer quando eu te ligar, nem sei que desculpa usar por estar parada na sua porta.

Te vejo de um canto escuro, teu vulto se movimenta quando escuta o telefone tocar, mas já é tarde, eu desliguei porque eu ainda não sei o te dizer. Te olho sem jeito, ainda não sei se eu tentei realmente tudo que eu podia.

Te insulto cada vez que você me procura, te odeio cada vez que você se aproxima demais. E acabei de lembrar que te mandei embora da minha vida pra sempre semana passada. De qualquer forma, ainda estou pensando na desculpa por estar parada na porta da sua casa

sábado, 13 de setembro de 2008

Todo fim é um novo começo

Dentre todas as lições que a vida nos ensina, começo a achar que uma das mais importantes é aprender a reconhecer quando uma etapa chega ao fim.

E chamamos isso de encerrar ciclos, fechar portas, partir para outra, virar a página. Não importa que nome você prefira, no fundo, isso sempre significa deixar para trás um passado, uma história, um capítulo de vida. Difícil ou não, é isso que nos liberta para a chegada do novo.

Posso passar o resto dos meus dias tentando entender as razões pelas quais as coisas acabam, terminam ou posso reconhecer que não se pode estar no passado e no futuro ao mesmo tempo e que para dar lugar ao novo eu preciso deixar o velho. Pode parecer obvio, mas nem sempre é fácil.

Certezas ninguém tem, mas ninguém está jogando nesta vida com cartas marcadas, portanto às vezes ganhamos, e às vezes perdemos. No entanto, não fiz nem um fio de cabelo meu de modo que no fundo não sou dona de nada e assim, não posso temer pelas minhas escolhas.

E, se conselho serve para alguma coisa... acho que é por isso que é essencial mudar de casa, de roupa, de direção, doar roupas, livros e brinquedos, o novo precisa de espaço para poder entrar, as vezes é importante até se livrar de recordações e lembranças antigas, até no nosso coração existem espaços ocupados por aquilo que já não nos importa mais.

Tudo o que chega, chega sempre por alguma razão

quinta-feira, 14 de agosto de 2008

Eu te odeio tanto que não atendo mais os seus telefonemas e seus convites não me interessam mais.

Eu te odeio tanto que evito seu olhar, fujo das suas esquinas e acho que não suportaria ficar nem um segundo sozinha com você.

Isso tudo nunca foi importante, na verdade, houve um momento em que foi, um pouco, talvez, logo depois, não sei em que momento do filme eu dormi, quando eu acordei, as luzes estavam acesas e você tinha ido embora. E eu fiquei te esperando, acho que de certa forma, eu ainda espero.

E isso não faz parte, e isso não era pra ter sido assim. O caminho normal, a curso esperado é que desandou. Eu só não sei em qual parte é que a gente se perdeu, ainda não achei. Porque o normal é para os casais normais, não para nós dois. Nós não somos nada. Nunca fomos.

É por isso que eu te odeio e te desgraço todos os dias. Não aceito, brigo, te esporro, te espanco e choro, e se te busco, não te acho, e se te encontro, te escapo. E assim, em um ciclo sem fim, te olho ainda, como se fosse da primeira vez.

Mas não ligue para nada disso, são palavras soltas, dispersas e sem importância.

Acho que você não entenderia isso, porque você nunca soube, e pra quem não sabe nada, entender algo é luxo.

Eu ainda levo a vida do mesmo jeito, mas acho que me tornei uma pessoa pior, ainda durmo mal quando chove e tenho frio nos pés e não sei de onde adquiri o hábito de ficar olhando para a porta...
Isso não tem cura, meu amor.

quinta-feira, 17 de julho de 2008

Decisões

Que me desculpem a contradição à outras coisas já escritas, mas acho que a vida, em si, não ensina nada. Essa conversa de que a vida nos ensina pelo amor ou pela dor, acho que não é totalmente correta.

Sou eu quem decido, a todo segundo, por cada decisão tomada, por mais simples que seja, que lição eu vou tirar da vida. O que eu faço com as alegrias e tristezas, surpresas e decepções é que compõe cada capítulo da minha história. Ou aproveito cada lição ou sigo empurrando os dias, um após o outro.

Todo mundo tem problemas, cada um sabe onde aperta o calo e onde dói a ferida. Cada um sabe o preço de ser o que se é. Coisas boas e ruins acontecem sempre, não é exclusividade sua, nem minha. Acontece com todos, sem distinção.

Não é possível viver sem problemas, nem tomar remédios que diminuem saudades e encurtem distâncias. Não posso também cobrar o amor de ninguém, nem obrigar as pessoas que aceitem as coisas como eu acho que elas devem ser.
O que eu vou fazer com as situações que a vida me coloca é que me torna uma pessoa diferente das outras. O que eu faço com essas experiências é que as torna lições.

Posso ficar reclamando por ter que levantar cedo ou posso tornar meu trabalho mais motivador. Posso odiar quem puxou meu tapete ou posso tentar compreender suas razões. Posso chorar pelo fim ou sorrir pelo novo. Posso ser nostálgica ou aprender a arte do recomeço. O hoje nos apresenta uma chance diária de fazer diferente, porque somos, realmente, as decisões que tomamos.

sexta-feira, 20 de junho de 2008

Murphy estava certo

1) Trabalhe, trabalhe e trabalhe, a menos que você ganhe na mega sena ou receba uma herança, não há outra forma de conseguir as coisas.

2) Metade das pessoas que você conhece estão abaixo da média intelectual. Então, não perca seu tempo tentando explicar alguma coisa a quem você sabe que não vai entender nada do que você disse. Tente desenhar ou fazer mímica.

3) Tente entender a Teoria do Caos.

4) Assista o filme “Um dia de fúria”. Nunca se sabe quando vai precisar usa-lo como argumento.

5) Você tem mais inimigos do que amigos. Aceite isso e fique feliz por isso, os Inimigos pelo menos, você sabe exatamente quem são. Os amigos, bem... nem sempre.

6) As suas decisões tem metade de chance de darem certo e outra metade de darem errado. Lembre-se que a grande maioria das decisões são tomadas mais porque a gente se cansa de pensar no assunto do que por nossas certezas.

7) Certezas não existem.

8) Se você tentou fazer alguma coisa que deu errado, conserte tudo rapidinho e destrua todas as evidências.

9) Você só vai conseguir experiência em algo depois que precisar dela.

10) Entenda que a vida é dolorosa, quem disser o contrário está tentando vender alguma coisa. E se ele estiver usando camisa de manga curta com gravata, ele é vendedor de Barsa.

Ajoelha e Reza

Eu tenho uma teoria...

Eu estava, outro dia, em uma livraria quando me deparei com “O Segredo”. Não vou nem comentar aqui o que eu penso sobre esse tipo de literatura. Mas o que me chamou a atenção era que o livro era comentado por ninguém menos do que Ana Maria Braga.

Bem, respondi à vendedora que eu dispensaria a grande obra literária, de grande profundidade, escrita por tão grande autora. O que me irrita nesse tipo de literatura do tipo “fique rico com o poder do pensamento” é que eu, reles mortal, que nunca tive nada caindo do céu. Acho que eu e a maioria das pessoas que eu conheço. E não foi com a força do pensamento que eu consegui alguma coisa.

Até concordo que pensamento negativo atrapalha, é ruim, mas ai é mais uma questão holística do que de prosperidade. E até parece que a vida é assim, tão fácil não é? Então, você agora ignora as contas para pagar, o teu chefe, os quilos a mais, o cara que te fechou no trânsito e faz pensamento positivo, mas pensa com fé, senão não funciona.

Volto a dizer, não sou contra corrente positiva de vibrações, orações, energias, etc. Só acho que não posso me dar ao luxo de fazer pensamento positivo esperando o efeito do cosmo sobre mim enquanto o mundo gira.

E falar em roda gigante... bem, não falei em roda gigante, mas ela também gira. Parece que tenho uma na ponta do meu nariz e tomo o maior cuidado pra não derrubar ela. Então pra ela não cair, eu juro que não vou escrever sobre o episódio dos três meninos mortos pelo exército no morro da providência no Rio do Janeiro.

Não vou falar disso porque cansei, já esgotou minha paciência esse discurso. Posso, no máximo, falar disso junto com a piada do português que eu aprendi ontem e posso te contar a piada e você vai esquece-la junto com a história dos três meninos, porque nossa memória é curta e a realidade é dura, meu caro. E ai vale tudo, vale até fazer pensamento positivo.

segunda-feira, 26 de maio de 2008

Arruda e Vela Amarela

- Eu te odeio, quero que você morra!!

Bem, “eu te amo” não diz tudo em uma relação de amor, mas “eu te odeio” também não diz quase nada em uma discussão acalorada. O fato é que as palavras são muito mais influenciáveis pelo momento em que são ditas do que deveriam.

Como dói não é? As vezes é preferível levar um bom tapa na cara do que agüentar o corte perfurante de palavras soltas que geralmente machucam justamente pelo que guardamos de mais valioso, quando atingem o bem que com mais carinho é guarnecido.

Pode ser o amor duvidado, a fidelidade questionada, a confiança na berlinda, lembranças esquecidas, dívidas enterradas, sonhos desacreditados, histórias rasgadas. Cada um sabe onde dói mais o calo, literalmente pisado.

Faz parte. Inevitavelmente, as pessoas que você ama ou que amam você irão te magoar algum dia. Pode até ser. Mas isso não faz as coisas serem mais fáceis, nem ao menos faz elas parecerem mais fáceis.

Esse discurso de forma nenhuma tem a pretensão de ser uma solicitação oficiosa de que você, que disse o que não devia, peça desculpas. De forma alguma, não sou juiza, nem conselheira, nem inquisitora, nem santa, nem vítima.

Mas acho que vale sim, abrir o assunto. Quanto vale uma pisada de bola dada com um amigo? Quanto valeu o desabafo inoportuno? Em qual momento tudo aquilo deixou de ser uma discussão, tão somente? Qual o bem tão meu, foi atingido em uma frase infeliz? Quantas vezes um conflito tomou proporções maiores do que deveria? Compensou?

Pois bem, colega, como já disse em outra oportunidade, isso é só um monte de frases gramaticalmente alinhadas e premeditadas e que no fundo, não resolve muita coisa, mas falar, exorciza alguns pesares e alivia certas dores.